12.7.06

Oficialmente em férias!

Vou desaparecer por um mês, se tudo correr bem!
Animada e com os pés já do outro lado.


Até daqui a uns dias largos!

6.7.06

invertida

Gosto das coisas, assim, num azul de céu posto em casa, o medo levado a um canto, tentando perder as palavras que por bonitas ficaram sem peso e são só forma.
Juro que tento em uma fazer no mínimo duas.
(desde já aviso que sei ser má técnica: dividir o muito e complexo em pequenas proposições, retirar de cada proposição a ambiguidade, na medida do possível, e analisar separadamente cada questão, funciona melhor na prática. Analisar cada questão por sua vez, tentando perspectivar sobre ela todos os pontos de vista que nos aparecem, limpa as ideias e discurso. Enfim, perder a pressa de muito abarcar em pouco e ir ao fundo de cada pequena coisa sem precisar de abarcar mais que um pormenor de cada vez, mais que este agora que é, de cada vez, um momento.)
Volto ao muito em pouco (e fica nada, mas tiraram-se as nove horas).
Desenformar o que é, para apanhar uma coisa que se adivinha por baixo, uma corrente tão sanguínea, às vezes, que escapa à razão e nos reduz a partículas do resto todo, seja ele o universo ou o destino, outras, umas regras racionais em desconjunção que se cruzam e se multiplicam, se anulam e, porque intrincadas, desvirtuam todos os dias a regra que se aprendeu ontem. Isto por um lado.
Pelo outro coelho, que a cajadada é só tentada, perceber por onde ir indo, face ao resto e se, havendo rumo, qual tomar.
De resto, sem amores que cá dentro existem e se constroem com os de fora, acaba, de vez, a possibilidade de gozar o que de humano se tem de melhor.
E não é uma crença, é conhecimento feito de carne.
Posto sempre em questão, pela liberdade de o discutir.

29.6.06

deslize

Contas-me as contas como se nunca as houvesse contado e por isso adoro a maneira como o fazes.
Assim, pormenores todos arrepiados ao lado uns dos outros, as linhas todas enunciadas, os tamanhos, o norte colado a ferro forjado, não fosse rodar como o vento, a bruma e o sol espigado, designas todos os tons, os riscos, as massas e os indizíveis.
Crias não uma história, mas um segredo feito de um sentido, uma impressão por detrás da tela, um momento que te passou pelas mãos e que me querias dar.
Eu aceito-o, feliz, com vontade de mais.
Sempre com vontade de mais e cheia de medo de ficar saciada.
No dia em que ficar satisfeita deixarás de me procurar ou eu de te procurar a ti, ainda nem sei bem como é.
Um dia, velhote, contas também esta história que eu já pó deixei agora escrita.
Uma vingança como outra qualquer.

23.6.06

na superfície

Aproximando-me como se não quisesse assustar os estados
e repetindo-se como se à primeira não focasse toda a marca
sonhando, muito.
Espanto-me como sabias tudo isso antes de mim
ou não sabes e fazes assim por distracção
(e eu não me interesso das razões)
porque a água não entra aos pulmões
e se mantém a possibilidade do boiar
esta natureza das coisas não corrompida
e estar sem esforço quando é vez
agradece-se aos deuses, ao cansaço ou à sorte?

1.6.06

Quando começas a embirrar com as palavras porque fecham as coisas nos catálogos e não é possível fingir que ficaram lá arrumadas.
E elas escorregam por frinchas por espaço e saem mesmo onde não há por sair.
São excepções! parece-te a desculpa resmungada…
Mas tu dizes que não: são fugas das ideias traçadas e não desfeitas, das tentativas não arrancadas da pele, da conformidade e vontade de encaixar no que é suposto.
Também ali deve vibrar a vida.
dizias-me : Quando começas a embirrar com as palavras…
Sim. dizia, porque te ia explicar que perdias uma das linhas que usas para poderes estar com os outros (em ti ou neles ou misturados). Arregalas esses olhos com ar de susto, perdes o olhar e ficas a espairar no limbo e temo que um dia só com música te recupere a este lado.
Há que tolerar as palavras. Se calhar amá-las.
Eu sei que não são pedras, nem sol, nem brincadeiras de cores ou trinados.
Mas ou te rendes ou te perdes.

25.5.06

De repente reparei que me escondia atrás desse dever de gente reivindicativa, que faz valer os seus direitos – e os dos outros - e critica o que é feito por detrás da cartilha dos interesses. Ajudar a meter o mundo nos eixos.
Que esquecia, pela humanidade, os humanos à minha volta.
Os concretos seres, longe de uma ideia feita, com defeitos e perfeições, a quem amar e ajudar num pormenor, não faz de mim herói ou paladino.
A senhora da limpeza que chora pelo filho perdido, a minha mãe que anseia quase sempre por mais um gesto meigo, o rapaz desiludido à espera de um alento.
E tu.
Fico, por isso, mais um pouco.
Refaço ainda este fole de força.
Não preciso de pegar já na caneta, nas armas ainda guardadas, mas já limpas.
Preciso de suavizar a dor que vê-los assim provoca e aquecer-te a mão.

17.5.06

atrevida, o quê!

Só para dizer que me apareceu um blog à frente que me pôs verde de (boa) inveja: se eu soubesse escrever como queria, escreveria assim:
um amor atrevido
Sorte a minha ter um sítio onde posso ler as coisas como gostaria que estivessem escritas!